Território Modular

Agosto de 2013 _

Para essa primeira exposição do MUDA em uma galeria comercial, uma questão importante surgiu para o coletivo: como deslocar para o cubo branco as estórias, significações e propostas específicas que desenvolvem na rua? Como construir uma coerência e uma estória própria dentro de um lugar que possui suas próprias especificidades (asséptico, mercantil e, nesse caso, distante) como a galeria, ou resumidamente, deslocar a obra do espaço público para o privado?

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A estória do MUDA começa na rua. Suas composições não estão ligadas a um embelezamento da cidade mas em pensá-la criticamente. São trabalhos site-specific, pensados para ocupar e refletir sobre as especificidades daquele lugar ao mesmo tempo em que fundam um novo território. Suas motivações e história criam conexões com um desejo, digamos, bauhasiano de artistas concretos, e em especial os murais de Antonio Maluf para a Vila Normanda (1964), para o escritório Alberto Brandão Muylaert (1962), para o Edifício Cambuí (1963), entre outros. Todos estes exemplos foram produzidos em São Paulo, e elaboraram uma estratégia que segue a mesma lógica que foi adotada tanto pela Bauhaus quanto pelos construtivistas russos. Sua produção como designer gráfico (e fazendo uma ligação com o MUDA, a formação em arquitetura e design de seus membros) contribuiu efetivamente para o desenvolvimento de uma linguagem construtiva, colaborando mesmo que infimamente para a transformação da identidade visual da cidade, ao integrar arquitetura, design e relacioná-las ao cotidiano da sociedade.

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Os murais, painéis e mosaicos feitos com azulejos e a cidade encontram uma simbiose perfeita na esfera da modernidade no país, com Athos Bulcão e Paulo Werneck. Duas referências para o MUDA, ambos contribuíram significativamente para a composição de uma nova identidade para o Brasil. Fragmentados, modulares, com influência direta do abstracionismo geométrico, avessos a qualquer representação de uma realidade figurativa (que predominava nas artes plásticas brasileiras naquele momento), as obras desses dois artistas impulsionaram uma das contribuições mais singulares sobre como o sujeito passa a olhar e entender o seu entorno. A forma e a estratégia como a cidade foi estruturada, vista, interpretada e redimensionada por Bulcão, Werneck e Maluf é, guardadas as suas devidas especificidades, a mesma que o MUDA ressignifica. Um olhar atento, crítico e afetuoso sobre as mazelas e especificidades do seu entorno. Seus ritmos, cores e formas criam uma livre associação com o lugar em que os painéis ou composições são instalados.

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É perspicaz essa possibilidade de diálogo com as artes visuais, e mais especificamente com artistas que tiveram ou tem a rua como tema e objeto. A vibração ótica dos ônibus de Raimundo Colares cria ambiguamente um ritmo acelerado para aquela pintura que a aproxima dos módulos virtuais de apreensão da imagem provocados pela obra do MUDA. É essa perspectiva pop-cinética que os conecta também. A forma como Raul Mourão e Marcos Chaves, cada um a seu modo mas adotando em comum a personificação de um flâneur, olham a cidade e a problematizam (seja nas grades de Mourão que de mobiliário urbano derivado do medo da sociedade desloca-se para o campo escultórico, seja na série Buracos de Chaves na qual as fotos ilustram e documentam a forma sarcástica com a qual os buracos na rua são tapados com toda a sorte de elementos) se aproxima da forma como o MUDA observa, critica e transforma a cidade. Não é um olhar passivo, mas de um agente transformador do meio, uma leitura poética do espaço público. Não há enfeite ou uma atitude espetaculosa sobre ou para a cidade, mas ações que nos mostram como a cidade está viva, em eterna mudança, sempre a renovar o seu estado e o olhar do sujeito para ela.

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É perspicaz o uso do spray na aplicação da tinta no azulejo. Um elemento fortemente associado ao graffiti e a uma ação estética conectada à cidade, ganha uma nova expressividade no uso por esse coletivo: torna-se um pincel que delicadamente compõe formas gráficas que de forma modular recobrem a “pele” da cidade.

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É curioso que as perguntas no início desse texto tenham se originado na discussão entre espaço público e privado, e a exposição esteja acontecendo em uma simpática casa de Botafogo (claro, não esquecemos que acima de tudo é uma galeria). Mas o ponto de inflexão que quero trazer é o seguinte: numa sala cujas janelas estão ocultas, o MUDA transfere para o cubo branco o que estava faltando naquele lugar e pelo qual eles têm o maior apreço, isto é, a rua, a natureza e a cidade. Suas caixas, objetos e esculturas tornam o espectador da galeria em um pedestre, um andarilho. É preciso movimentar-se, andar diante dessas obras para percebemos os variados jogos visuais e dinâmicas próprias fornecidos por elas. Estão próximos dos cinéticos também, pois transformam o meio e a relação que temos com a obra de arte (e a cidade, no caso específico das obras do coletivo carioca) em um organismo. Nessa exposição, tudo está em movimento assim como a própria cidade.

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Texto crítico de Felipe Scovino.
Coletivo MUDA | Território Modular | Galeria Lurixs, agosto de 2013

MUDA no Leblon

Fomos contratados pelo escritório da arquiteta Gisele Taranto (http://giseletaranto.com)  para criar um painel em uma residência no Leblon. Ao chegar no apartamento, a vista e o mar no lado oposto ao painel já foram a inspiração inicial.
14678235944_61910c8502_oDada a largada! Régua, nível, e começa a aplicação!14660246488_4bd728803c_o copy
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14672468900_5a9fe14835_o copyColetivo MUDA | Leblon | Rio de Janeiro | 2014

MUDA Horto

Em 2013 fomos convidados para fazer um  painel nessa casa linda no Horto com projeto das arquitetas Carla Marçal e Mônica Vert. A ideia era ver diferentes momentos do painel de cada ponto da casa.
BIAL_002Logo na entrada o painel começa a ser revelado.
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BIAL_00-5E la se vai o MUDA escada abaixo para encontrar a piscina.
BIAL_00-10O cliente já curtia o nosso trabalho há um tempo, então pudemos intervir como fazemos na rua, de forma mais fluida.
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14777537915_c15e854525_o (1) Coletivo MUDA | Horto | Rio de Janeiro | 2013

MUDA nas alturas – Mirante do Joá

Essa é a história de um canto. Um canto como vários que existem por aí pela cidade, mas esse tinha um diferencial: a vista. Passávamos sempre por ali, e víamos que era um lugar onde era colocado o lixo dos condomínios próximos, para a retirada por parte da prefeitura. Viva sujo e largado, até que um dia pintaram o muro de marrom.IMG_0148
Não pensamos duas vezes!!! Um muro desses, lisinho, sub utilizado, e com uma vista dessas?!?! Não poderia passar em branco (marrom, no caso). Imediatamente pintamos uma composição para lá, e chegamos antes da galera da pixação! O muro era nosso.
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Para nossa surpresa, o muro tinha sido pintado por uma moradora, que resolveu adotar o lugar e transformá-lo de vez em um mirante, e nós entramos no meio desse processo, sem saber! De repente recebemos uma ligação agradecendo pelo apoio na “adoção” do espaço…  O painel acompanhou a transformação do espaço, e com o passar do tempo foi se transformando também. Até que então recebemos uma nova ligação: Queremos que vocês façam um painel para o mirante, que fique lá para sempre…
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O mirante se transformou, o MUDA também. A paisagem é a mesma, mas agora é VISTA.
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Coletivo MUDA | Estrada do Joá | Rio de Janeiro | 2012 – 2014

MUDA SP COPA

Aproveitando a MUDAtrip pra SP fizemos mais um painel contratado sob encomenda.

MUDA_REISEN_FINAL (1 de 1)
MUDA_REISEN_FINAL (2 de 1)
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Até mais SP…
Coletivo MUDA | Alto de Pinheiros | São Paulo | 2014

MUDA Concrete Jungle

Em abril deste ano fomos contratados para fazer três painéis em uma mesma residência em São Paulo. A ideia era transformar o ambiente urbano ortogonal com formas mais orgânicas e coloridas.
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MUDA_Consolação-3Coletivo MUDA | Consolação | São Paulo | 2014

Baixa Ribeira MUDA Porto

Descemos a baixa pra levantar a viagem com mais um MUDA em Portugal. A cidade do Porto é vibe plus, e suas ladeiras tem uma maciça presença de azulejos que nos trouxe uma nova visão do “horror ao vazio” que dominou  a arquitetura da terrinha por muito tempo. Pois trás cá mais dois fininhos e uma taça de chocolate com vinho pra babar de vez meu caminhar! Levar os azulejos na mala não é nada fácil… mas são cenários assim que fazem tudo valer a pena! Misturando sorte com cara dura, baixa ribeira MUDA.

BAIXA_RIBEIRA_MUDA_PORTO_01Quebra a forma, corta o módulo e reinventa a base!
BAIXA_RIBEIRA_MUDA_PORTO_02A gente imagina o que vem pela frente, mas não sela o destino…
BAIXA_RIBEIRA_MUDA_PORTO_03tudo MUDA!
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BAIXA_RIBEIRA_MUDA_PORTO_05
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Coletivo MUDA | Baixa Ribeira | O Porto – Portugal



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